FILÓSOFOS

FILÓSOFOS

Jean-Jacques Rousseau (1712 - 1778)*


Filósofo iluminista, foi o pensador mais voraz de sua época, com críticas à sociedade burguesa, em defesa das camadas mais populares e de uma sociedade baseada na justiça, na igualdade e na soberania do povo. Suas principais idéias estão nas obras: Emílio, Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens e Contrato Social. Rousseau acusava a propriedade privada de ser o "agente corruptor" do homem. Ela seria a destruidora da liberdade social, da democracia e seria a construtora do despotismo, das desigualdades sociais e da corrupção da sociedade. Propunha uma sociedade onde os homens fariam um contrato social, pelo qual cada indivíduo concordaria em se submeter à vontade geral, à da maioria. Portanto, prevaleceria a vontade da comunidade e não a de um indivíduo ou a do mercado. Assim, cada um se uniria a todos e o homem seria livre, com direitos iguais para todas as pessoas. Nessa sociedade não haveria nobreza e burguesia, todos seriam pequenos proprietários (camponeses, artesãos,...). Rosseau foi um dos poucos iluministas realmente democráticos, e também um dos únicos a valorizar não somente a razão, mas também as emoções e os sentimentos. Suas idéias foram fonte de inspiração dos movimentos socialistas do século XIX.


Conde Claude Saint-Simon (1760 - 1825)*


Socialista utópico francês, era um liberal avançado e revolucionário educado por D'Alembert com uma formação racionalista. Lançou uma idéia muito interessante: suponha que um dia o ferreiro, o pedreiro, o operário, o agricultor, enfim, todos os trabalhadores, parassem de trabalhar de repente. Pense no que aconteceria. O caos. Os ricos não teriam o que vestir, comer, beber. Estaria provada a importância dos operários. Agora imagine se todos os patrões, os donos dos bancos, das fábricas deixassem de existir. O que aconteceria? Os operários continuariam trabalhando normalmente. Porém não haveria mais ninguém para sugar e explorar seu árduo trabalho. Que maravilha, hein? A sociedade idealizada por Saint-Simon era a seguinte: não haveria mais os ociosos (militares, clero, nobreza, ...) nem a exploração do homem pelo próprio homem. Essa sociedade seria dividida em três classes - os sábios, os proprietários e os que não tinham posses - e seria governada por um conselho de sábios e artistas. Essas idéias estão em seu livro Cartas de um Habitante de Genebra. Em outro livro, O Novo Cristianismo, defendia uma religiosidade diferente do protestantismo e do cristianismo. Ela, somada à racionalidade humana, poderia resultar num mundo industrialista e justo.


 

Charles Fourier (1772 - 1837)*


Socialista utópico francês, filho de comerciantes, absorveu algumas idéias de Rousseau: o homem nasce puro e bom, a sociedade e as instituições o corrompem. Fourier propôs uma sociedade baseada nas falanges e falanstérios, fazendas coletivas agro-industriais, onde todos desempenhariam suas tarefas em proveito da comunidade. Nessa sociedade criar-se-ia a falange, com até dois mil homens que trabalhariam para um fundo comum. A divisão das riquezas produzidas seria feita considerando-se a quantidade e qualidade do trabalho de cada indivíduo. Cada falange possuiria seu edifício comum, o falanstério, que abrigaria todos os membros e onde seriam instalados os bens coletivos da comunidade (cozinha, biblioteca, ...). Fourier alegava que os falanstérios superariam as desarmonias capitalistas, mas nunca conseguiu financiar seu projeto.


Louis Blanc (1811 - 1882)*


Outro socialista utópico francês. Teve importante participação na Revolução de 1848, quando suas idéias foram colocadas em prática devido a associação entre liberais e socialistas, na tentativa de derrubar a monarquia. Eis elas: seriam criadas associações profissionais de trabalhadores de um mesmo ramo de produção, as Oficinas Nacionais, financiadas pelo Estado. O lucro seria dividido entre o Estado, os associados e para fins assitenciais. Enfim, como líder do proletariado, exigia que o Estado se apoderasse do sistema econômico para garantir trabalho e justiça para todos. Porém, os liberais e os socialistas romperam e o Estado fechou as Oficinas Nacionais, começou a perseguir os socialistas (também onde já se viu proteger o proletariado) e anulou todas as reformas feitas em benefício da classe operária.


Pierre-Joseph Proudhon (1809 - 1865)


Socialista utópico francês e precursor do anarquismo. Defendia a diminuição da ação governamental capitalista e religiosa e a liquidação do Estado. Queria uma sociedade de pequenos produtores livres e iguais, onde os trabalhadores fariam uso do financiamento dos bancos de trocas, sem juros, para comprar os meios de produção. Em seu livro O que é a Propriedade, afirmava que a propriedade privada era um roubo. Com certeza. Divergia em alguns pontos políticos e econômicos com Karl Marx, alimentando várias discussões entre eles.


 

Robert Owen (1773 - 1858)*


Socialista utópico inglês, casou-se com uma mulher muito rica e se tornou dono de várias indústrias, e nelas aplicou suas idéias. Diminuiu a jornada diária de trabalho para dez horas, salários aumentados, seus funcionários tinham creches e escolas para seus filhos, além de hospitais. Suas indústrias tornaram-se um modelo de legislação social e seus lucros não pararam de crescer. Feliz e satisfeito com esse resultados começou a defender a criação de uma sociedade comunista com o fim da propriedade privada. Mas essas idéias e atitudes de Owen não estavam agradando a aristocracia inglesa, que o baniu da Grã-Bretanha. Foi para os Estados Unidos e fundou a cidade de New Harmony. Porém quando regressou à Inglaterra suas cooperativas estavam falidas. Owen observou de perto as condições desumanas dos trabalhadores e revoltou-se contra as perspectivas vindas com o progresso. Acreditava ser impossível formar-se um ser humano superior num sistema egoísta e explorador.

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